domingo, 1 de junho de 2014

Aborto legal e seguro já!



Essa semana o Brasil regrediu dez casas em questão de direitos da mulher. A portaria 415 que visava destinar uma verba para a realização dos abortos previstos por lei fossem feitos pelo SUS. A Lei diz que gravidez resultante de abuso sexual, quando há comprovação de risco de vida para a gestante e quando o feto é anencéfalo o aborto é permitido. No papel é lindo. Na teoria não. Dia 29 nós fomos surpreendidos com a notícia de que a bancada religiosa havia conseguido revogar tal portaria. A burocracia que seria evitada com a portaria 415 não vai existir mais.


Vamos aos dados: um estudo realizado pelo Sinan revelou que 67,4% das mulheres grávidas em decorrência de estupro em 2011 não tiveram acesso ao serviço de aborto legal.

“Isso leva a imaginar que algumas provocaram a interrupção de maneira clandestina. Em uma clínica, com medicamentos, ou fazendo uso de procedimentos invasivos, como agulha de tricô, soda cáustica… Aí vão outros métodos abortivos que muitas vezes esterilizam a mulher, quando não levam à morte”, alerta a socióloga Myriam Mastrella, pesquisadora da organização ANIS (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero), baseada em Brasília.
A Escreva Lola Escreva fez um texto sobre como é difícil achar informações sobre o aborto legal. No Portal Brasil não há NENHUMA informação sobre. Na página específica sobre a Saúde da Mulher também não. Na parte de violência contra a mulher também não. Se jogarmos na internet, veremos que as notícias são velhas e não ajudam muito.


Por  Católicas Pelo Direito de Decidir
Para onde correr e o que fazer em um país onde direitos assegurados por leis são silenciados pelo barulho do fanatismo religioso? O que uma mulher faz com um bebê resultante de estupro? O que uma mulher faz com um bebê sem cérebro que dará prejuízo e que terá uma vida muito curta? O que uma mulher faz quando sua vida está em risco por algo que nem nasceu?
Até quando nossos corpos e nossos direitos serão silenciados por causa de um ano eleitoral? Até quando a religião comandará nossos úteros, nossas ações e o nosso ser? Um direito nosso foi tomado com a simples justificativa de que foi em nome de Deus. O engraçado é que se procurarmos na Bíblia algum versículo que diga que é pecado interromper uma gravidez de feto anencéfalo, de feto resultante de abuso sexual e de feto que ameaça a vida da gestante não acharemos nenhum. A Bíblia foi escrita por homens e para homens. Até quando ter controle e emponderamento sobre o próprio corpo será errado? Se os pais desse feto anencéfalo podem fugir do papel social de ser pai por que é que a mulher que carrega esse feto não pode fugir também? O mesmo eu digo para as outras mulheres!

Qual o problema de sermos livres? Onde está a laicidade do Estado? Dentro de nossos úteros eu posso assegurar que não está.



Participe do Ato de Repúdio à Revogação da Portaria 415! #abortolegal

https://www.facebook.com/events/645720335507669/?fref=ts


Fontes:

Escreva Lola Escreva, APublica, Lugar de Mulher e Pragmatismo Político.